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São Paulo,06/10/2026

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GEISE ALVES - A MULHER QUE CRIOU O PRÓPRIO CÓDIGO

Entre o luxo que conhece e a história que carrega, Geise Alves redefine os códigos de uma vida escolhida por ela.


GEISE ALVES - A MULHER QUE CRIOU O PRÓPRIO CÓDIGO Divulgação

Geise Alves construiu nas redes sociais uma presença marcada pelo humor, pelo luxo e por uma maneira particular de falar sobre a própria vida. Entre referências de moda, arquitetura, viagens e consumo, desenvolveu também uma visão clara sobre dinheiro, patrimônio e os comportamentos que considera verdadeiramente sofisticados.


Sua trajetória passa pelas escolhas que fizeram parte da construção da vida que leva hoje e pela relação entre privilégio, autonomia e responsabilidade. Geise diferencia parecer rica, ter recursos e construir patrimônio, defendendo que estilo, postura e segurança não são determinados por uma etiqueta ou pelo valor de uma compra.


Ao transformar sua influência em uma atividade cada vez mais estruturada, ela começa a projetar novos caminhos para a marca que leva seu nome, com possibilidades que passam por produtos, negócios e projetos próprios. A fé permanece como uma das bases de sua vida, enquanto o desejo de construir algo que tenha significado e permaneça no tempo dá outra dimensão à imagem que construiu nas redes.



THAYLOR: Geise, você criou nas redes uma personagem que brinca com o título de “mulher troféu”. Quanto dessa personagem é humor e quanto existe da verdadeira Geise nela?


G.A: Eu brinco muito com esse título, mas sou, sim, uma esposa troféu. Não preciso trabalhar, posso fazer compras todos os dias e tenho uma vida privilegiada. Mas isso não quer dizer que eu seja passiva, que não tenha opinião ou que viva fora da realidade. Uso o humor porque muita gente associa “mulher troféu” a uma mulher fútil e decorativa, e eu não sou nada disso.


Acordo cedo, oro a Deus, cuido dos meus filhos e gosto de cuidar da minha casa, mesmo tendo funcionários. Também tomo minhas decisões, cuido dos meus interesses e escolho os rumos da minha vida. Então existe muito da verdadeira Geise nessa personagem. Na verdade, ela nem é exatamente uma personagem. Eu sou uma esposa troféu, mas não sou o estereótipo que as pessoas imaginam. Assumo essa condição sem abrir mão da minha personalidade, da minha autonomia e da minha capacidade de pensar por mim mesma.


THAYLOR: O termo “mulher troféu” normalmente coloca a mulher em uma posição quase decorativa. Você acha interessante justamente inverter essa lógica e mostrar uma mulher que entende de dinheiro, negócios, patrimônio e escolhas?


G.A: Sim. No meu Instagram, brinco com essa ideia porque, para chegar até aqui, precisei fazer escolhas e assumir responsabilidades. Ter uma vida confortável não significa não precisar entender de dinheiro, patrimônio ou planejamento. Pelo contrário: quanto mais recursos você tem, mais precisa saber cuidar deles.


Antes de ter a vida que tenho hoje, precisei me manter sozinha em outro país, construir minha independência e aprender a tomar decisões difíceis. Isso me ensinou a não depender da imagem que os outros fazem de mim. Por trás da figura da “esposa troféu”, existe uma mulher que entende o valor do dinheiro, reconhece oportunidades e participa das decisões que envolvem sua vida e seu patrimônio.


Gosto de inverter essa lógica: o troféu não é uma mulher que foi simplesmente escolhida. É uma mulher que também soube escolher. Eu não me defino apenas pelo que tenho ou pelo relacionamento que construí. Também sou definida pela minha capacidade de decidir, administrar, aprender e conduzir a minha própria vida.




THAYLOR: Você fala sobre luxo de uma maneira diferente, misturando informação, opinião e humor. O que fez você perceber que esse universo poderia se transformar também em conteúdo e posicionamento profissional?


G.A: Percebi que dava para falar de luxo de um jeito mais leve, próximo e inteligente. Muitas divas do luxo no Instagram parecem intocáveis. Eu vivo em lugares luxuosos e conheço esse universo, mas também carrego minhas raízes e sei exatamente de onde vim: de uma realidade muito humilde.


Gosto do contraste entre esses dois mundos porque ele mostra quem eu sou. Não finjo que nasci no luxo, mas também não escondo as escolhas e os aprendizados que me trouxeram até aqui. Falo sobre consumo, patrimônio e estilo de vida com humor, mas sem tratar tudo como ostentação. Para mim, luxo também envolve escolha, planejamento, conhecimento e liberdade para decidir o que faz sentido na minha vida.


Foi nesse contraste que encontrei meu jeito de me posicionar: viver o luxo sem apagar minha história, sem abrir mão da minha autonomia e sem perder a humildade. Afinal, humildade não tem nada a ver com dinheiro. Quando percebi que as pessoas se identificavam com essa mistura, uma mulher que transita pelo luxo, mas continua autêntica e sabe o valor do que construiu, entendi que isso poderia virar conteúdo e também um trabalho.


THAYLOR: À medida que sua presença digital cresce, você já começa a enxergar a influência como um negócio? Como pretende transformar audiência e posicionamento em uma marca de longo prazo?


G.A: Sim, já enxergo a influência como um negócio e tenho o desejo de criar algo que permaneça. Construir uma marca também é uma forma de deixar um legado. Ainda estou definindo como isso vai acontecer, mas penso em lançar produtos e projetos que tenham a minha identidade e façam sentido para a minha audiência.




THAYLOR: Existe hoje uma estratégia por trás da Geise Alves que aparece nas redes sociais ou seu crescimento ainda acontece de maneira predominantemente orgânica e intuitiva?


G.A: Meu crescimento ainda acontece de maneira predominantemente orgânica e intuitiva. Não sigo uma fórmula ou um roteiro pronto. Mostro a minha verdade, falo sobre o que realmente faz parte da minha vida e misturo tudo isso com humor. Acho que as pessoas se conectam justamente porque percebem que existe estratégia, mas não existe uma personagem forçada.




THAYLOR: Você transita por moda, arquitetura, comportamento e luxo. O que esses universos têm em comum com a sua personalidade e com a imagem que deseja construir?


G.A: Todos esses universos têm em comum a beleza, a história e a forma como expressamos quem somos. Desde pequena, sempre fui muito observadora e apaixonada por tudo aquilo que tem estética, personalidade e permanece bonito com o passar do tempo.


Por isso gosto tanto de moda, arquitetura e viagens para lugares como França e Itália. Não é apenas sobre coisas caras, mas sobre entender o que existe por trás delas: a qualidade, os detalhes, a cultura e a história.


A imagem que quero construir é exatamente essa: uma mulher que aprecia o luxo, mas sabe que luxo de verdade vai muito além do preço. Para mim, aquilo que é realmente belo tem identidade, conta uma história e nunca fica ultrapassado.


THAYLOR: Sua relação com a arquitetura vai além da estética? O que uma casa, um projeto ou um ambiente precisa ter para representar luxo para você?


G.A: Vai muito além. Eu tenho uma opinião bem clara sobre arquitetura: acho que essa obsessão atual pelo bege, pelo nude e pelo minimalismo tirou das casas muito da beleza e da personalidade. Respeito quem gosta, mas definitivamente não é o meu caso.


Eu gosto da arquitetura inglesa, da mediterrânea e da francesa, principalmente quando existe uma mistura com o moderno. Gosto de casas imponentes, mas, ao mesmo tempo, leves, com janelas grandes, iluminação quente, tecidos fluidos e objetos que contam histórias. E acho muito curioso que as casas que eu considerava bonitas quando tinha sete anos continuam sendo exatamente as casas que acho bonitas hoje.


Talvez você não ame o meu estilo, mas ele nunca vai deixar de ser belo, porque não depende de uma tendência para funcionar. Na minha casa, inclusive, todas as obras de arte serão pintadas pelos meus filhos. Quero que ela tenha a nossa história, tenha personalidade e seja uma casa que abrace. Para mim, arquitetura de verdade não deve apenas acompanhar uma época; ela precisa continuar bonita quando aquela época passar.


THAYLOR: Na moda, você acredita que vestir marcas caras e ter estilo são coisas completamente diferentes? O que realmente denuncia uma mulher sofisticada antes mesmo de sabermos o que ela está usando?


G.A: Completamente diferentes. Uma mulher sofisticada não é denunciada pela etiqueta, mas pela coerência. Ela entende a roupa que veste, o próprio corpo e, principalmente, o ambiente em que estará. Uma das coisas mais importantes que nós, mulheres, podemos aprender é que existe uma maneira de se vestir para cada ocasião. Há lugares em que podemos ousar e outros em que devemos ser mais discretas.


Eu gosto de usar a moda a meu favor, nunca contra mim. É claro que o dinheiro pode dar acesso a mais opções, melhores tecidos e até mais informação, mas ele não compra estilo. Construir uma imagem elegante nunca foi e nunca será apenas sobre vestir marcas caras.


Antes da etiqueta, eu observo o caimento, a qualidade do tecido, o cuidado com os detalhes e a segurança de quem está usando aquela roupa. Para mim, sofisticação é saber fazer escolhas e não precisar que uma logomarca fale por você.


THAYLOR: Você já falou sobre a mudança dos códigos do luxo e sobre mulheres de alto poder de consumo. O que percebe nesse público que dificilmente aparece nas redes sociais ou nas narrativas tradicionais sobre riqueza?


G.A: Acho que as redes sociais mostram muito o que uma mulher rica compra, mas quase nunca mostram os códigos escondidos desse universo. Hoje, o luxo fala muito mais por meio do tecido, do corte e do comportamento do que simplesmente por meio de uma logomarca.


Mas, para mim, o comportamento ainda é o que mais transmite riqueza. É a maneira como essa mulher anda, fala, gesticula, trata as pessoas e se comporta em cada ambiente. Ela não precisa anunciar o tempo inteiro o que tem, porque existe uma segurança na forma como se apresenta.


Esses códigos são discretos, mas dizem muito. Você pode comprar a bolsa, a roupa e o sapato mais caros, mas postura, educação e segurança não vêm na sacola.




THAYLOR: Existe uma diferença entre parecer rica, ser rica e ter uma mentalidade de construção de patrimônio? Como você enxerga essas três coisas?


G.A: Existe uma diferença enorme. Parecer rica está relacionado à imagem e ao consumo. É mostrar aquilo que o dinheiro pode comprar e, muitas vezes, essa imagem nem corresponde à realidade financeira daquela pessoa.


Ser rica significa realmente ter recursos, conforto e liberdade de escolha. Mas até uma pessoa rica pode não ter uma mentalidade de riqueza. Há mulheres que têm muito dinheiro, mas não sabem administrá-lo, protegê-lo ou transformá-lo em algo que permaneça.


Já a mentalidade de construção de patrimônio envolve pensar além do presente. É saber que dinheiro não serve apenas para gastar, mas também para investir, gerar oportunidades, criar segurança e deixar um legado. É entender que nem tudo o que você pode comprar precisa ser comprado.


Para mim, parecer rica é sobre o que as pessoas veem, ser rica é sobre o que você tem e construir patrimônio é sobre o que você será capaz de manter e deixar depois de você.


THAYLOR: Com o crescimento da sua imagem pública, quais negócios você imagina que podem nascer da marca Geise Alves? Você se vê criando produtos, marcas, projetos ou entrando em novos mercados?


G.A: Com certeza. Um dos meus maiores desejos é construir algo que deixe história. Meu pai faleceu há cerca de três anos e nós conversávamos muito sobre isso. Ele dizia que queria deixar a história dele, e essa ideia permaneceu muito forte em mim.


Quero, sim, lançar produtos que façam sentido para as mulheres e que carreguem a minha identidade. Pode ser roupa, beleza, loções ou qualquer produto físico que esteja ligado ao meu universo. Mas não quero me limitar apenas ao que pode ser comprado e colocado em uma sacola.


Acredito que a minha história, o meu testemunho de fé e tudo o que já vivi também podem se transformar em projetos muito valiosos. Quero construir uma marca que tenha valor comercial, mas que também tenha propósito, significado e consiga permanecer para além de mim.


THAYLOR: Se hoje a internet conhece a Geise pelo humor, pelo luxo e pela provocação da “mulher troféu”, pelo que você gostaria que o mercado reconhecesse Geise Alves daqui a cinco anos?


G.A: Quero que o mercado reconheça Geise Alves como uma marca, mas, acima de tudo, como alguém que fez diferença na vida das pessoas. Quero criar produtos e projetos, mas não desejo ser lembrada somente por aquilo que vendi. Quero ser lembrada pelo que consegui transformar.


Daqui a cinco anos, espero que as pessoas enxerguem além do humor, do luxo e da “mulher troféu”. Quero que conheçam também a mulher por trás de tudo isso: a minha história, as situações que atravessei, o meu testemunho e, principalmente, a minha fé.


A base de tudo o que sou e a fonte que me sustenta todos os dias é Deus. Se a marca Geise Alves crescer, quero que ela cresça levando essa verdade junto e deixando um legado que realmente tenha valor.






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