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São Paulo,03/11/2026

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RICARDO NUNES

O Brasil de quem faz não espera: aprende, trabalha e constrói

Divulgação
O Brasil de quem faz não espera: aprende, trabalha e constrói

Existe uma diferença entre esperar que o Brasil melhore e trabalhar para construir um Brasil melhor. Eu acredito no segundo caminho.


A eleição presidencial encerra uma disputa política, mas não encerra os desafios de quem empreende. O país continua precisando de empresas produtivas, empregos, inovação, responsabilidade e pessoas dispostas a transformar ideias em realidade.


Independentemente de quem esteja à frente do governo, existe uma responsabilidade que permanece nas mãos de cada empresário: fazer o próprio negócio avançar, desenvolver pessoas, gerar oportunidades e contribuir para o crescimento do país.


Quem empreende sabe que nem todos os dias são favoráveis. Existem decisões difíceis, mudanças inesperadas, riscos, erros e momentos em que é preciso começar de novo. O que diferencia uma trajetória não é a ausência de dificuldades, mas a capacidade de aprender com elas e continuar avançando.


Minha história no varejo me ensinou que nenhum resultado relevante nasce pronto. Uma operação cresce quando existe trabalho, visão comercial, disciplina e gente comprometida com um objetivo. Crescer exige coragem, mas permanecer crescendo exige método.


Construir uma empresa é muito mais do que abrir portas, vender produtos ou alcançar números expressivos. É assumir compromissos, tomar decisões que impactam vidas e compreender que, por trás de cada resultado, existem pessoas. Existem colaboradores que dependem daquela operação, fornecedores que acreditam na parceria, clientes que depositam confiança e famílias que encontram no trabalho uma possibilidade de futuro.


Ao longo da minha trajetória, acompanhei a transformação da minha pequena loja de 20 metros quadrados em uma operação com mais de mil lojas. Essa experiência me mostrou que grandes realizações começam com uma decisão, mas só se tornam possíveis quando existe capacidade de execução, persistência e disposição para aprender diariamente.


Também me ensinou que o sucesso de uma empresa não pode ser medido exclusivamente pelo seu tamanho. É preciso observar a capacidade de se adaptar, a qualidade das pessoas que a compõem, a consistência da gestão e o valor que ela consegue produzir.


O empreendedorismo não é uma atividade para quem espera condições perfeitas. É uma escolha para quem está disposto a construir mesmo diante das dificuldades.


Por isso, acredito que o empresário precisa desenvolver duas capacidades simultaneamente: interpretar o mundo e governar a própria empresa. Não podemos ignorar a política, a economia ou as decisões que afetam o ambiente de negócios.


Precisamos acompanhar os acontecimentos, cobrar responsabilidade dos governantes e defender condições para que o empreendedorismo floresça. Precisamos de segurança jurídica, previsibilidade, crédito acessível, educação de qualidade e políticas que estimulem a produção, o investimento e a geração de empregos.


Mas também precisamos reconhecer nossos próprios deveres.


Não adianta exigir eficiência do país e tolerar desperdício dentro da empresa. Não adianta falar em crescimento e deixar de desenvolver pessoas. Não adianta querer resultados extraordinários repetindo, todos os dias, as mesmas práticas que nos limitam.


O empresário precisa olhar para dentro, identificar suas fragilidades e ter humildade para reconhecer que sempre existe algo a melhorar. Liderar é assumir responsabilidade. É entender que não podemos transferir permanentemente para o cenário externo a explicação para aquilo que precisamos resolver internamente.



O verdadeiro patrimônio de uma empresa está nas pessoas



Uma das maiores lições que o varejo me ensinou é que nenhuma empresa cresce de maneira consistente sem pessoas preparadas. Podemos ter uma excelente estratégia, uma marca reconhecida, produtos competitivos e oportunidades de mercado. Mas, se não tivermos equipes capacitadas, liderança presente e uma cultura orientada à execução, dificilmente sustentaremos bons resultados.


Vender é fundamental. Mas formar vendedores, desenvolver gestores e preparar líderes é o que permite multiplicar resultados.


Precisamos parar de enxergar treinamento como um custo ou uma atividade secundária. Desenvolvimento profissional é investimento na capacidade de uma empresa de competir, inovar e crescer.


Um colaborador bem preparado entende melhor o cliente, toma decisões mais conscientes e contribui para uma experiência de compra superior. Um gestor preparado organiza processos, acompanha indicadores e desenvolve sua equipe. Um líder preparado não se limita a cobrar resultados: ele cria as condições para que eles aconteçam.


Essa é uma diferença importante entre simplesmente administrar uma operação e construir uma organização capaz de evoluir. No Grupo R1, essa convicção está presente no trabalho que desenvolvemos com empresários. Acreditamos que compartilhar conhecimento, provocar reflexões e apresentar ferramentas de gestão pode transformar a maneira como as pessoas conduzem seus negócios.


O empresário não precisa saber tudo, mas precisa estar disposto a aprender. Precisa reconhecer que experiência é importante, mas que experiência sem atualização pode se transformar em resistência à mudança.


O mercado não espera que estejamos prontos. Ele muda, a tecnologia avança, o consumidor se transforma e novas formas de fazer negócios surgem. Quem deseja permanecer relevante precisa manter a capacidade de aprender e se reinventar.



Resultado, Gestão e Valor: crescer com consistência



O Método RGV® traduz parte da visão que defendo sobre desenvolvimento empresarial.


Resultado é indispensável. Uma empresa precisa vender, gerar receita, preservar sua rentabilidade e cumprir seus compromissos. Não existe sustentabilidade empresarial sem resultado.


Mas resultado sem gestão pode ser passageiro. É a gestão que organiza recursos, estabelece prioridades, acompanha indicadores, desenvolve processos e permite que o crescimento tenha sustentação.


E existe uma terceira dimensão que considero essencial: valor.


Valor é aquilo que permanece além de uma venda ou de um resultado pontual. É a capacidade de construir uma empresa respeitada, desenvolver profissionais, estabelecer relações comerciais consistentes e gerar impacto positivo no ambiente em que está inserida.


Não quero defender um empreendedorismo baseado apenas em faturamento. Quero defender empresas que cresçam com inteligência, responsabilidade e capacidade de deixar contribuições relevantes.


O empresário precisa compreender que seu legado não será definido somente pelo patrimônio que acumulou, mas também pelas oportunidades que criou, pelas pessoas que desenvolveu e pela transformação que ajudou a produzir. Essa é uma perspectiva que amplia a responsabilidade de quem lidera.



O Brasil precisa de empresários protagonistas



Costumo dizer que precisamos olhar para o Brasil de quem faz. Esse Brasil não pertence a um partido, a uma ideologia ou a um grupo específico. Pertence a todos os brasileiros que acordam cedo, abrem suas empresas, trabalham, estudam, produzem, geram oportunidades e acreditam que o amanhã pode ser melhor.


É o Brasil dos pequenos empreendedores que começam com recursos limitados, dos empresários que empregam milhares de pessoas, dos profissionais que buscam qualificação e dos trabalhadores que fazem a economia acontecer todos os dias.


Não precisamos concordar em tudo para compreender que o desenvolvimento do país depende de responsabilidade, trabalho e capacidade de construir.


Precisamos de um ambiente em que empreender seja possível, em que o mérito seja reconhecido, em que a educação prepare pessoas para o mercado e em que o crescimento das empresas seja compreendido como parte importante do desenvolvimento nacional.


Mas também precisamos de empresários protagonistas, que não esperem exclusivamente por soluções externas e que compreendam sua participação na construção desse futuro.


O Brasil tem potencial, tem mercado, tem criatividade e tem gente trabalhadora. O desafio é transformar essas características em produtividade, competitividade e oportunidades concretas.



O legado começa nas decisões de hoje



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