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São Paulo,08/10/2026

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Forte aposta nos turistas brasileiros e no mercado de luxo: os planos ousados da Minor Hotels para a América Latina

Com expansão acelerada na região, dona de marcas como NH Collection e Anantara mira viajantes brasileiros, que já são maioria em países como Argentina e Chile


Forte aposta nos turistas brasileiros e no mercado de luxo: os planos ousados da Minor Hotels para a América Latina Créditos: Divulgação/Minor Hotels Europe & Americas

Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México e a lista poderia se estender para quase todos os países da América Latina. Quando se trata de volume de visitantes, os brasileiros estão quase sempre entre os principais mercados emissores para qualquer destino turístico da região. Apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil registrou 1,16 milhão de embarques com destino à Argentina, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O país ficou com o primeiro lugar e, embora o segundo lugar tenha sido dos Estados Unidos, o terceiro também é um destino latino: o Chile.

Não é de hoje que os viajantes brasileiros descobrem experiências únicas em lugares como Buenos Aires, Cancún, o Atacama ou Montevidéu. A proximidade linguística entre o português e o espanhol é um dos fatores que facilitam a vida dos turistas brasileiros em destinos como esses. As culturas semelhantes e as boas taxas de conversão entre o real e as moedas dos países latinos também contribuem para esse cenário, consolidando o Brasil como peça central na engrenagem do turismo e da hotelaria latinoamericanos. “Em absolutamente todos os países da região em que temos operação, os brasileiros figuram no top 10 de ocupação”, destaca a diretora comercial para as Américas da Minor Hotels Europe & Americas, Viviana Guerrero. Com origem tailandesa, a companhia tem forte presença na Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Peru e México, com 55 propriedades espalhadas por esses países.

Brasil: feeder market estratégico

O comportamento do consumidor brasileiro é dinâmico. Figurinhas carimbadas na Argentina e no Chile, os brasileiros alternam sua preferência a cada ano, de acordo com as flutuações do câmbio e com o volume de nevascas durante o inverno nos dois países. Mas, além desses e dos destinos de praia, que também estão entre os queridinhos, os turistas que saem daqui têm buscado diversificar suas viagens. “O brasileiro tem um perfil de viagens essencialmente de lazer, mas os interesses específicos desse público têm mudado ao longo dos últimos anos. Observamos um aumento expressivo de brasileiros trocando os destinos tradicionalmente mais visitados por roteiros focados em cultura e arqueologia em metrópoles como a Cidade do México e Lima, no Peru”, pontua Viviana.

É justamente a maturidade desse viajante, somada à forte resiliência da demanda doméstica intrarregional, que fundamenta a atual ofensiva estratégica da Minor Hotels Europe & Americas. Essa viabilidade é garantida pelas particularidades locais, como o alto volume de turismo doméstico e entre os países da região, o que cria um ecossistema menos vulnerável a crises externas e capaz de sustentar operações diversificadas durante todo o ano.

Viviana explica que o grupo tem priorizado um modelo de negócios asset-light. A estratégia foca na expansão via franquias e contratos de administração corporativa, o que permite escalar as novas marcas no continente de maneira muito mais rápida, sem abrir mão do padrão de serviço que tornou a companhia uma das mais importantes do mundo. “A excelência no serviço é garantida por meio de um acompanhamento rigoroso e treinamento constante das equipes locais”, detalha.

Luxo reinterpretado

Historicamente ancorada nos segmentos premium e corporativo, com bandeiras como NH Hotels e NH Collection, a rede identificou uma lacuna no mercado latino-americano para introduzir suas marcas de alto luxo, já consolidadas na Europa e na Ásia. Essa introdução passa por uma mudança na forma como o segmento de alto padrão atua na região. Para a companhia, o luxo contemporâneo deixou de ser medido estritamente pelo valor financeiro da estadia. “Atualmente, o foco está na exclusividade da experiência e no potencial ‘instagramável’ que a propriedade oferece. Ao trazer para cá bandeiras já estabelecidas em outras partes do mundo, o desafio estratégico é fundir seus rígidos padrões globais de wellness às necessidades culturais latino-americanas.”

Essa leitura mercadológica e estratégica já se materializa na diversificação do portfólio em mercados-chave. O nhow Lima, inaugurado no segundo semestre do ano passado, é uma das grandes apostas nesse sentido. A bandeira, que já tem sucesso consolidado em metrópoles como Londres, Berlim e Amsterdã, estreou nas Américas com essa unidade, localizada em Miraflores, um dos principais bairros da capital peruana. “O Peru é um mercado emergente impressionante e que segue crescendo. O nhow Lima é uma ode à cultura inca. Cada um dos cantos do hotel conta uma história e mostra com muita arte tudo o que é possível viver no país. É uma oferta diferente que, além da hospedagem, também tem entretenimento, com um pool bar no rooftop que tem vista para toda a cidade e quer agitar a vida noturna”, explica Viviana.

Mirando o turismo de inverno dos brasileiros e a forte demanda intrarregional, outra novidade anunciada em 2025 foi o Anantara Ushuaia, resort de luxo em um dos destinos mais desejados da Argentina. Já o México tem, hoje, a estratégia de diversificação de portfólio mais ampla da companhia. No segmento de alto luxo imobiliário, o foco está na construção do Tivoli Mérida Residences, que tem previsão de abertura para 2027 e introduz o cobiçado modelo de branded residences. Paralelamente, a Minor Hotels Europe & Americas foca em estadias de média e longa duração, com o NH Studios em Guadalajara, e no turismo de lazer estratégico, com o Avani Cancún. Por fim, de volta ao sul do continente, uma aposta voltada quase exclusivamente para o setor de viagens corporativas: o NH Collection Assunção, localizado no edifício mais alto da capital paraguaia.

Fidelização tem papel fundamental

Outro pilar corporativo estratégico para a retenção de hóspedes e o aprimoramento da experiência do cliente dentro do portfólio da rede é o programa de fidelidade Minor Discovery, que ganhou mais de 1,2 milhão de membros só no ano passado. Mais do que um sistema tradicional de acúmulo de pontos, a plataforma ganha musculatura por estar integrada à Global Hotel Alliance (GHA), o que garante aos associados acesso imediato a uma rede global de mais de 800 hotéis.

Para manter e acelerar essa curva de crescimento, a companhia combina campanhas de comunicação massiva com uma forte operação de base. “Apostamos intensamente na capacitação das equipes locais de cada hotel, treinando os funcionários para apresentar os benefícios do programa diretamente aos hóspedes logo no check-in, o que tem se mostrado um método altamente eficaz para tangibilizar o valor da plataforma e garantir novas conversões de forma orgânica”, completa Viviana.





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