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São Paulo,02/10/2026

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Crescer sem banalizar o luxo: o próximo desafio de Eilson Studart

À frente da SIX, empresário entra em uma nova fase de expansão, com novos mercados, novos executivos e o desafio de preservar a experiência que transformou a marca em um dos nomes mais particulares do wellness brasileiro


Crescer sem banalizar o luxo: o próximo desafio de Eilson Studart Divulgação

Existe uma diferença importante entre criar uma empresa e construir uma marca capaz de crescer sem perder sua identidade. O primeiro movimento depende de visão e execução. O segundo exige processos, pessoas, capital e uma capacidade constante de proteger aquilo que tornou o negócio relevante. É justamente nessa transição que está Eilson Studart, sócio da SIX Sport Life, enquanto a empresa se prepara para avançar sobre novos mercados e ampliar sua estrutura.


Criada em 2024, em Brasília, a SIX começa a entrar em uma etapa na qual crescimento e gestão passam a caminhar lado a lado. Alphaville, Belo Horizonte e Jardim América estão entre os próximos movimentos da companhia, enquanto a entrada de novos nomes na estrutura societária e executiva acompanha uma estratégia de desenvolvimento que pretende levar a operação a uma escala nacional.


A mudança altera a própria natureza das decisões de Eilson. No início, a prioridade estava em consolidar uma proposta capaz de conquistar espaço em um mercado competitivo. Com a operação estabelecida, a questão passa a envolver a capacidade de reproduzir essa proposta em diferentes cidades sem fazer com que ela perca força ao ser multiplicada.


Para empresas posicionadas no segmento premium, esse processo exige atenção especial. A percepção de valor é construída por uma série de elementos que precisam funcionar em conjunto, desde o atendimento e a arquitetura até a tecnologia, os serviços e a formação das equipes. Uma nova unidade pode ampliar a presença de uma companhia, mas também pode expor rapidamente qualquer diferença entre aquilo que foi concebido como padrão e aquilo que chega efetivamente ao consumidor.


A trajetória de Eilson oferece uma perspectiva particular sobre essa questão. Arquiteto formado pela Universidade Federal do Ceará, ele passou cerca de 16 anos ligado ao desenvolvimento e à expansão do Coco Bambu, participando de uma fase de crescimento que envolveu a implantação de operações em diferentes mercados. Foi uma experiência que o aproximou de questões como padronização, implantação, gestão e identidade empresarial em escala.


Na SIX, esse repertório encontra um negócio de natureza diferente. A arquitetura continua sendo uma parte relevante de sua atuação, mas está inserida em uma operação na qual espaço e serviço precisam funcionar como uma única linguagem. A distribuição dos ambientes, a iluminação, os materiais, as áreas de convivência e a integração entre treinamento e recuperação interferem diretamente na maneira como o consumidor percebe e utiliza cada unidade.


Por isso, a chegada a novas cidades representa uma etapa empresarial particularmente sensível. Alphaville será uma das próximas operações, com mais de 1.800 metros quadrados no 23º andar de um edifício e vista panorâmica para a região. A unidade reunirá os diferentes serviços que compõem a proposta da SIX e levará a empresa para um mercado com características próprias, exigindo que a estrutura desenvolvida até aqui seja adaptada sem perder sua identidade.


Em Belo Horizonte, a expansão ganha uma dimensão ainda mais ligada à arquitetura. A nova unidade, com inauguração prevista para novembro, está sendo instalada em uma casa neoclássica no Belvedere e foi concebida para reunir uma operação completa, com academia, área de treinamento, cafeteria, clínicas e espaços dedicados ao spa e ao relaxamento. A escolha do imóvel e a configuração dos ambientes fazem parte da tentativa de aproximar a experiência da SIX da própria linguagem de cada cidade, sem abandonar os elementos que identificam a marca.


O mesmo princípio aparece no Jardim América, onde uma nova unidade tem inauguração prevista para março. Localizada em uma região central do bairro, a operação amplia a proposta da SIX com uma estrutura que inclui quadra de padel, piscina e área de beach tennis, além dos ambientes destinados ao treinamento, recuperação e convivência.


Nas novas unidades, um dos movimentos mais significativos está na expansão do conceito de recovery. A proposta deixa de ocupar um espaço complementar e passa a integrar a estrutura central da experiência. As operações incorporam recursos como sauna seca e a vapor, crioterapia, equipamentos de massagem, mesas para tratamentos, pistolas de liberação muscular, acessórios para liberação facial e cadeiras de massagem.


A tecnologia também acompanha essa evolução. Nas novas unidades, os equipamentos seguem a linha Luxury, segmento mais sofisticado da marca, reforçando uma ideia de wellness na qual treinamento, recuperação e cuidados com o corpo passam a fazer parte de uma mesma jornada.


Esse modelo será aplicado em Alphaville, Belo Horizonte e Jardim América, enquanto as unidades mais antigas deverão receber gradualmente novos equipamentos e estruturas de recovery. A expansão, portanto, não se limita à criação de novos endereços. Ela também representa uma atualização da própria rede, criando uma referência operacional que deverá ser incorporada progressivamente às unidades existentes.


A estrutura corporativa acompanha esse novo momento. Renata Vichi passou a integrar a sociedade da SIX e assumiu a posição de Chief Growth Officer, fortalecendo a frente dedicada ao desenvolvimento da empresa. A chegada de uma executiva com atuação direcionada ao crescimento sinaliza uma companhia que começa a estruturar sua próxima fase com uma visão mais abrangente de negócios, deixando a abertura de unidades como apenas uma das partes da estratégia.


O movimento também ajuda a entender por que o próximo capítulo da SIX é menos sobre inaugurações e mais sobre construção empresarial. Uma rede pode crescer rapidamente quando existe demanda, mas transformar crescimento em uma operação sustentável depende de uma estrutura capaz de preservar padrões, desenvolver equipes e manter a percepção de valor ao longo do tempo.


É uma questão particularmente delicada no mercado de luxo. Exclusividade não está necessariamente ligada à quantidade de unidades ou ao tamanho de uma operação. Ela aparece na consistência da entrega, na atenção aos detalhes e na sensação de que o consumidor está diante de algo cuidadosamente pensado. Quando esses elementos deixam de acompanhar o crescimento, o posicionamento pode perder força mesmo que a empresa continue aumentando seu faturamento e sua presença geográfica.


No caso da SIX, a evolução do recovery também acompanha uma transformação mais ampla na relação das pessoas com o wellness. Treinamento, performance, recuperação e longevidade passaram a ocupar espaços cada vez mais próximos dentro da rotina de consumidores de alta renda. A academia deixa de ser apenas o lugar destinado ao exercício e passa a funcionar como um ambiente no qual diferentes dimensões do cuidado pessoal podem coexistir.


Eilson chega a essa fase reunindo duas experiências que se complementam. A arquitetura trouxe uma compreensão sobre espaço, estética e funcionalidade. A trajetória no Coco Bambu acrescentou uma visão prática sobre crescimento, implantação e operação. Na SIX, essas duas referências se encontram em um negócio que precisa transformar uma proposta sofisticada em um modelo capaz de funcionar em diferentes mercados.


O próprio avanço do wellness amplia as possibilidades para esse modelo. Saúde, performance, recuperação e longevidade passaram a ocupar um espaço maior nas decisões de consumo, criando uma indústria cada vez mais sofisticada e competitiva. Para empresas que atuam nesse território, a oportunidade está em compreender as novas demandas sem transformar todas elas em uma coleção de serviços desconectados.


É justamente por isso que a próxima fase da SIX será observada pela maneira como a empresa irá organizar seu crescimento. Alphaville, Belo Horizonte e Jardim América representam novos endereços, mas também funcionam como testes de consistência para uma operação que pretende alcançar outras regiões. Cada abertura aumenta a estrutura, a exposição e a complexidade da gestão.


Para Eilson, a questão passa a ser administrar essa evolução sem permitir que escala e identidade entrem em conflito. A experiência acumulada ao longo de sua trajetória empresarial oferece uma base para esse movimento, mas o crescimento da SIX acrescenta uma camada diferente ao desafio: preservar uma percepção premium enquanto a empresa deixa de ser uma operação concentrada em poucos mercados e passa a construir uma presença nacional.


É uma etapa em que arquitetura, gestão, pessoas, tecnologia e estratégia deixam de funcionar separadamente. O valor da SIX dependerá da capacidade de fazer esses elementos avançarem na mesma direção, mantendo coerência entre o que a empresa projeta, o que suas equipes entregam e aquilo que o consumidor encontra quando atravessa a porta de uma nova unidade.




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