Just Paulinha: da 25 de Março ao luxo, a história da mulher que reinventou os piercings
Empresária e influenciadora transformou piercings em uma experiência de beleza, criou técnicas próprias e agora prepara segunda clínica e joalheria em Moema enquanto administra seus negócios mesmo morando nos Estados Unidos
Divulgação Para algumas mulheres, escolher um brinco é apenas o último detalhe antes de sair de casa. Para Just Paulinha, a orelha pode contar uma história inteira. Uma argola pode marcar uma mudança, um ponto de luz pode completar uma composição e vários piercings, quando pensados em conjunto, podem funcionar quase como uma produção de moda. Foi olhando para esse detalhe do corpo de uma maneira diferente que Paula Barbosa construiu uma carreira de mais de duas décadas e ajudou a transformar o piercing em um item associado também à beleza, à joalheria e à expressão pessoal.
A história começou em 2003, em São Paulo, quando Paulinha ainda estava distante do universo de luxo que hoje cerca sua marca. A segunda joalheria, na região da 25 de Março, seria o ponto de partida para uma trajetória que levou à criação da Piercing Joia, apresentada pela empresa como a primeira clínica e joalheria de piercings do Brasil. Com o tempo, ela desenvolveu o Visagismo de Orelhas®️ e os Piercings Australianos®️, métodos que propõem analisar a anatomia e o estilo de cada pessoa para criar combinações personalizadas. A própria marca mantém atualmente uma linha de joias em ouro, titânio e outros materiais, reforçando a aproximação entre piercing, beleza e joalheria.
A mudança parece simples quando vista pronta, mas exigiu que Paulinha convencesse o mercado de que piercing poderia ser muito mais do que uma lembrança da adolescência. “Eu sempre acreditei que os piercings poderiam representar muito mais do que um acessório. Eles podem comunicar identidade, marcar fases da vida e fortalecer a autoestima”, afirmou a empresária em entrevista anterior.
A ideia de transformar a orelha em uma espécie de projeto de beleza também aparece na forma como ela descreve o comportamento de suas clientes: não seria mais uma visita única, mas um cuidado que pode ser atualizado ao longo do tempo.
Essa visão ajudou a colocar celebridades entre as pessoas que já procuraram seu trabalho, como Grazi Massafera, Taís Araújo, Caio Castro e Pabllo Vittar, segundo informações divulgadas pela própria marca e pela imprensa. Mais do que os nomes conhecidos, porém, Paulinha construiu outro patrimônio: conhecimento. Sua empresa mantém uma frente de formação profissional, a Escola do Piercing, e a Just Paulinha Academy oferece cursos ligados às técnicas desenvolvidas por ela. O movimento transformou a experiência acumulada no atendimento em conteúdo para outras profissionais que desejam atuar no segmento.
Existe ainda uma parte menos visível da história de Just Paulinha: a empresária não vive mais diariamente no Brasil. Mesmo morando na Califórnia, nos Estados Unidos, ela estruturou uma equipe para manter a operação brasileira funcionando. E esse talvez seja um dos sinais mais importantes de sua transformação como empreendedora. Crescer, para ela, não significa simplesmente abrir mais portas, mas criar processos capazes de sustentar a marca mesmo quando sua fundadora está a milhares de quilômetros de distância.
“Tudo o que construí, eu manifestei primeiro na mente. A técnica te leva longe, mas é a mentalidade que te faz atravessar os momentos em que tudo parece impossível”, contou Paulinha em uma entrevista anterior.
A frase resume uma característica que aparece com frequência em sua trajetória: a tentativa de unir visão pessoal e estratégia empresarial. Hoje, além de cuidar dos negócios, ela também transformou a própria imagem em uma extensão da marca, compartilhando nas redes sociais conteúdos sobre beleza, joias, estilo de vida, empreendedorismo e bastidores de sua rotina.
A exposição aumentou ainda mais depois de sua participação no reality americano 90 Day Fiancé, exibido pela TLC. A televisão apresentou ao público uma mulher que até então era conhecida principalmente pelo trabalho, permitindo que outras facetas de sua vida ganhassem espaço. “As pessoas conheciam a empresária. Agora estão conhecendo a mulher, o meu lado humano e espiritual”, disse Paulinha sobre essa experiência.
O curioso é que a televisão chegou quando a empresária já havia construído uma história própria. Ou seja, para quem passou a conhecê-la pelo reality, existe uma trajetória anterior que ajuda a explicar quem é aquela mulher diante das câmeras. O programa ampliou sua visibilidade internacional, mas não criou sua personagem: encontrou uma empreendedora que já trabalhava havia anos para transformar uma ideia aparentemente pequena em uma marca.
Agora, enquanto sua vida ganha cada vez mais espaço entre Brasil e Estados Unidos, Paulinha prepara outro movimento no mercado brasileiro. A inauguração de uma segunda clínica e joalheria em Moema, em São Paulo, está prevista para novembro de 2026. O endereço deve levar adiante a proposta de aproximar piercing, joalheria, beleza e experiência, justamente os elementos que ajudaram a diferenciar seu negócio desde o início.
A escolha de Moema também conversa com a fase atual da marca. Se no começo era preciso explicar por que um piercing poderia ocupar o mesmo universo simbólico de uma joia, hoje a empresa já trabalha com peças em ouro 18K, diamantes, titânio e diferentes propostas de composição. O próprio catálogo atual mostra como o negócio ampliou seu repertório para além da perfuração, com joias e acessórios pensados para diferentes estilos.
Mas talvez a maior mudança esteja na maneira como Paulinha passou a enxergar seu próprio papel. Ela começou colocando joias nas orelhas das clientes. Depois, criou uma metodologia, formou profissionais, construiu uma marca e passou a levar sua imagem para as redes sociais e para a televisão. Agora, entre uma ponte aérea e outra, administra uma empresa que precisa funcionar sem sua presença física constante.
“Ver essa mensagem chegando a tantos países é algo muito especial”, afirmou ao falar sobre a repercussão internacional de seu trabalho. E é justamente aí que a história de Just Paulinha ganha uma dimensão que vai além do piercing: a de uma mulher que percebeu valor em algo que muitos enxergavam apenas como detalhe, e fez desse detalhe uma linguagem de estilo, um negócio e uma parte importante de sua própria identidade.





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