US$ 670 milhões para o futuro da arte: o novo capítulo do Met

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São Paulo,28/09/2026

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US$ 670 milhões para o futuro da arte: o novo capítulo do Met

O Metropolitan Museum of Art inicia a construção de uma nova ala dedicada à arte moderna e contemporânea, assinada pela arquiteta Frida Escobedo, em um dos maiores projetos de transformação de sua história


US$ 670 milhões para o futuro da arte: o novo capítulo do Met Divulgação

Em Nova York, o futuro da arte acaba de ganhar uma nova arquitetura. O Metropolitan Museum of Art, o Met, iniciou oficialmente a construção de sua nova ala dedicada à arte moderna e contemporânea, um projeto de US$ 670 milhões que pretende transformar a maneira como o museu apresenta sua coleção e como o público se relaciona com a produção artística dos séculos XX e XXI.


Batizado de Oscar L. Tang and H.M. Agnes Hsu-Tang Wing, o projeto foi desenhado pela arquiteta mexicana Frida Escobedo e tem inauguração prevista para 2030. São 126 mil pés quadrados distribuídos em cinco pavimentos, aproximadamente 11.700 metros quadrados, permanecendo dentro da área ocupada atualmente pelo museu. A nova configuração ampliará em quase 50% o espaço destinado às galerias de arte moderna e contemporânea, chegando a cerca de 69.500 pés quadrados de área expositiva. 


O investimento também revela a dimensão da filantropia cultural que sustenta grandes instituições americanas. Segundo o próprio Met, os US$ 670 milhões já foram levantados para financiar o custo integral da construção e uma parcela significativa do fundo patrimonial que dará suporte à operação da nova ala. Entre os principais apoiadores estão Oscar L. Tang e Agnes Hsu-Tang, cujo aporte de US$ 125 milhões representa a maior doação em dinheiro da história do museu. 


A escolha de Frida Escobedo acrescenta outra camada à história. Aos 46 anos, a arquiteta se torna a primeira mulher a projetar uma nova ala do Met em seus 156 anos de existência. Reconhecida internacionalmente por projetos que trabalham a relação entre arquitetura, luz, matéria e memória, Escobedo concebeu uma intervenção contemporânea que não pretende competir com a arquitetura histórica do museu, mas estabelecer um diálogo com ela. 


Na fachada, uma estrutura de pedra calcária inspirada nas celosías, elementos arquitetônicos presentes em diferentes culturas ao longo da história, criará uma espécie de filtro entre o edifício e a luz. A superfície deverá mudar de aparência conforme o movimento do sol, criando uma fachada que não permanece visualmente estática ao longo do dia.


O interior segue a mesma lógica. As galerias terão alturas que variam entre 11 e 22 pés, permitindo que instalações de grandes dimensões convivam com trabalhos de menor escala. A intenção é criar uma sequência de espaços capaz de aproximar diferentes linguagens e períodos da coleção, conectando a arte moderna e contemporânea ao acervo do Met, que reúne aproximadamente cinco mil anos de história da arte. 


A experiência do visitante também ocupa lugar central no projeto. Os dois pavimentos superiores terão aproximadamente 18.500 pés quadrados de áreas externas, com terraços voltados para o Central Park e para o skyline de Manhattan. O tradicional Cantor Roof Garden será incorporado a uma área ampliada no quarto andar, enquanto o quinto pavimento receberá um café de aproximadamente mil pés quadrados.


A proposta deixa evidente uma mudança na própria ideia de museu. A nova ala não foi pensada apenas para abrigar uma quantidade maior de obras, mas para aproximar arquitetura, paisagem, circulação e arte. A experiência começa antes mesmo de chegar diante de uma obra e continua nos espaços de convivência, nas vistas para Nova York e na relação entre o edifício e o entorno.


Enquanto as obras avançam, o Met manterá parte de sua produção moderna e contemporânea espalhada por outros espaços do museu. Exposições temporárias e instalações ocuparão diferentes áreas durante o período de construção, mantendo a coleção em diálogo com o público até a reabertura das galerias, prevista para 2030. 


O novo Tang Wing chega, portanto, como uma obra de arquitetura, mas também como um investimento na permanência da arte contemporânea dentro de uma instituição cuja coleção atravessa milênios. Com US$ 670 milhões mobilizados, uma nova geração de espaços expositivos e uma arquiteta que passa a ocupar um lugar inédito na história do museu, o Met está construindo não apenas uma nova ala, mas uma nova maneira de olhar para o presente.


Em uma cidade acostumada a inaugurar edifícios que rapidamente se tornam símbolos, o desafio do Tang Wing será ainda maior: criar um espaço contemporâneo dentro de um museu cuja própria história já é uma das grandes obras de arte de Nova York.





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