De R$ 65 mil a R$ 7,5 milhões em apenas dois anos: ele viu nos gelos saborizados uma oportunidade de negócio
Marcelo Zangrandi conheceu o produto enquanto viajava pelo Brasil fazendo shows e percebeu que poucos sabiam do que se tratava. A oportunidade deu origem à Flow Ice, que faturou R$ 3,6 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 7,5 milhões em 2026.
Divulgação Algumas oportunidades de negócio surgem de pesquisas extensas de mercado. Outras começam pela capacidade de observar um comportamento antes que ele se torne evidente para todos. Foi durante viagens pelo Brasil, em meio à rotina de shows, que Marcelo Zangrandi começou a reparar em jovens consumindo bebidas em copos maiores, com um único e grande gelo saborizado. Curioso, perguntou a pessoas próximas se conheciam o produto. A resposta, na maioria das vezes, era não.
Para Marcelo, o desconhecimento não representava necessariamente falta de mercado. Poderia significar justamente o contrário: havia uma categoria ainda em formação e espaço para crescer junto com ela. A percepção se transformou em negócio e, em agosto de 2024, nasceu a Flow Ice.
Os primeiros meses foram dedicados muito mais à construção da operação do que à busca imediata por grandes resultados financeiros. Era necessário desenvolver receitas, testar o produto, definir embalagens, estruturar a produção e preparar a empresa para chegar ao mercado. Nos quatro meses finais de 2024, o faturamento ficou em aproximadamente R$ 65 mil.

O número ganha outra dimensão quando colocado ao lado do desempenho seguinte. Em 2025, primeiro ano completo de operação, a empresa alcançou R$ 3,6 milhões em faturamento. Agora, para 2026, a estimativa é chegar a R$ 7,5 milhões, mais que o dobro do resultado registrado no ano passado.
O avanço acompanha um mercado que, na visão de Marcelo, ainda está longe de atingir todo o seu potencial no Brasil. Muitos consumidores sequer conhecem o chamado gelão saborizado, o que faz com que o desafio da empresa seja duplo: disputar espaço com concorrentes que já atuam na categoria e, ao mesmo tempo, ajudar a apresentar o próprio produto a um público novo.
Foi nesse cenário que a Flow Ice intensificou sua estratégia comercial e de marketing. A empresa passou a investir em produção constante de conteúdo, influenciadores, ações digitais, eventos privados com convidados estratégicos, relacionamento com pontos de venda e presença próxima de clientes e distribuidores. A intenção é fazer com que a marca não dependa apenas da exposição tradicional no varejo para ser descoberta.
Uma das estratégias foi identificar clientes que, além de venderem o produto, possuem força própria nas redes sociais. Adegas e distribuidores com comunidades digitais relevantes passaram a ocupar uma posição importante na expansão. Ao chegar a esses estabelecimentos, a Flow Ice ganha simultaneamente um novo ponto de venda e um potencial canal de divulgação.

A estratégia ajuda a explicar a velocidade da expansão entre 2024 e 2026, mas Marcelo atribui parte importante do desempenho ao próprio produto. A empresa trabalha para entregar um gelo saborizado com intensidade de sabor e maior duração, buscando fazer da qualidade um diferencial em um mercado no qual novos competidores tendem a aparecer conforme a categoria cresce.
Sustentar esse avanço também exige investimento físico. Desde o início da operação, os aportes passaram pela estrutura da fábrica, embalagens, desenvolvimento de receitas e testes. Atualmente, o investimento é contínuo, principalmente em marketing e equipamentos destinados a clientes considerados estratégicos. Mais de 140 freezers de diferentes dimensões já foram adquiridos, desde modelos menores até estruturas maiores, incluindo containers.
A produção acontece em uma fábrica no interior de São Paulo. A partir dali, a logística distribui os produtos para diferentes regiões do país. São Paulo, considerando capital, interior e litoral, e Minas Gerais concentram atualmente a presença mais forte da empresa. A Flow Ice também registra vendas em estados como Rio de Janeiro, Paraná, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Sul e Bahia.
Enquanto a presença geográfica aumenta, a estrutura empresarial também amadurece. Marcelo iniciou a operação acompanhado por três sócios, mas posteriormente adquiriu as participações dos demais e hoje é proprietário de 100% da marca. Mesmo com a expansão, afirma permanecer envolvido em praticamente todas as etapas, da criação das ideias à execução.
Ao seu lado está Leandro, diretor comercial da Flow Ice e responsável por liderar uma das áreas mais importantes para a próxima fase da companhia. A atuação comercial ganha peso à medida que o negócio deixa de depender apenas da apresentação de uma novidade e passa a disputar clientes, pontos de venda e participação em um mercado cada vez mais competitivo.
Essa combinação entre produto, distribuição, marketing e relacionamento é a aposta para sustentar o próximo salto. Se a projeção de R$ 7,5 milhões se confirmar, a empresa terá mais que dobrado o faturamento entre 2025 e 2026 e percorrido, em aproximadamente dois anos desde sua criação, a distância entre uma operação que faturou R$ 65 mil nos quatro meses iniciais e um negócio com receita anual milionária.
O que começou com uma observação feita durante viagens pelo Brasil se transformou, portanto, em uma aposta empresarial sobre um comportamento de consumo que Marcelo acredita estar apenas começando. Agora, o desafio já não é simplesmente provar que existe espaço para o gelão saborizado. É transformar a vantagem de ter identificado cedo essa oportunidade em escala, distribuição e uma marca capaz de crescer na mesma velocidade que o mercado que ajudou a explorar.





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