O fim das comissões? Conheça a empresária que está mudando o modelo dos salões de beleza
Rafaela de la Lastra propõe uma nova lógica de negócios ao substituir o modelo tradicional por uma estrutura mais enxuta, previsível e alinhada à nova geração de profissionais
Divulgação Em uma indústria historicamente guiada pelo talento artístico, mas sustentada por estruturas de gestão pouco eficientes, um movimento começa a ganhar força ao propor uma ruptura direta com um dos pilares do setor: o modelo de comissões. À frente dessa mudança está Rafaela de la Lastra, empresária brasileira que vem redesenhando a forma como os salões de beleza operam.
Aos 44 anos, e como terceira geração de uma família tradicional do setor, Rafaela cresceu imersa no universo da beleza. Filha de Rafael de la Lastra, responsável por um dos maiores salões do Brasil na década de 1960, na Rua Bela Cintra, em São Paulo, ela desenvolveu desde cedo uma compreensão profunda tanto da estética quanto da operação do negócio.
Ao longo dos anos, no entanto, passou a identificar fragilidades estruturais que se repetiam em grande parte dos salões: complexidade financeira, conflitos recorrentes relacionados a comissões e a necessidade de manter estruturas administrativas robustas para sustentar o funcionamento da operação.
A virada veio durante a pandemia. Com o setor diretamente impactado por fechamentos e instabilidade de receita, tornou-se evidente que o modelo tradicional, baseado em repasses percentuais sobre cada serviço, não oferecia previsibilidade nem para o empresário nem para o profissional.
Foi nesse contexto que surgiu o Sistema Autentis.
A proposta parte de uma mudança estrutural. Em vez de comissões, os profissionais passam a operar por meio de contratos de locação de estações de trabalho dentro do salão. Cadeiras, macas e equipamentos são utilizados mediante um valor fixo mensal, enquanto cada profissional mantém controle direto sobre sua receita, seus atendimentos e sua gestão financeira.
Para o proprietário do espaço, o modelo cria uma base de receita previsível, reduz a complexidade operacional e elimina a necessidade de controle constante sobre cada serviço realizado. Para o profissional, amplia a autonomia e estabelece uma relação mais clara com o negócio.
O impacto vai além da simplificação financeira. Ao eliminar a lógica de intermediação constante, o sistema reduz estruturas administrativas, conflitos internos e a dependência de processos centralizados. A operação se torna mais leve, mais transparente e potencialmente mais lucrativa.
Embora à primeira vista o modelo possa ser associado a um coworking, Rafaela de la Lastra propõe uma lógica diferente. O Sistema Autentis funciona como um ecossistema curado, no qual os profissionais são selecionados para compor um time multidisciplinar alinhado em qualidade, posicionamento e experiência.
Cabeleireiros, esteticistas, maquiadores e outros especialistas compartilham o espaço, mas operam dentro de uma dinâmica integrada, estimulando indicações cruzadas e construindo uma rede de atendimento mais consistente. A própria criadora descreve essa estrutura como uma “colmeia”, onde cada profissional contribui para o fortalecimento do todo.
O modelo já foi adotado por mais de 100 profissionais no Brasil e em outros cinco países, sinalizando que a proposta começa a ultrapassar o caráter experimental para se consolidar como alternativa viável dentro do setor.
Mais do que uma mudança operacional, o que está em jogo é uma transformação na forma de pensar o negócio da beleza. Em um cenário onde profissionais buscam autonomia, clareza financeira e flexibilidade, e onde empresários precisam de previsibilidade e eficiência, o modelo tradicional passa a ser questionado.
Ao propor uma nova lógica baseada em contratos, transparência e autonomia, Rafaela de la Lastra se posiciona como uma das vozes que antecipam um possível redesenho estrutural da indústria. Um movimento silencioso, mas com potencial para redefinir não apenas a operação dos salões, mas também as relações de trabalho dentro do setor.




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