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São Paulo,01/09/2026

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Geise Alves revela os novos códigos do luxo entre mulheres de alto poder de consumo

Menos logos evidentes, mais qualidade, conforto e exclusividade. Para Geise Alves, o desejo de demonstrar status não desapareceu, apenas ganhou uma linguagem mais sofisticada.


Geise Alves revela os novos códigos do luxo entre mulheres de alto poder de consumo Divulgação

Durante anos, o luxo encontrou nos logotipos uma de suas formas mais imediatas de reconhecimento. Monogramas, estampas emblemáticas e nomes de grandes maisons transformaram roupas, bolsas e acessórios em símbolos facilmente identificáveis de poder de compra. Agora, entre mulheres de alto poder aquisitivo, essa linguagem começa a mudar. Não porque o desejo por status tenha desaparecido, mas porque os códigos usados para comunicá-lo se tornaram mais sutis.


Para Geise Alves, existe certo romantismo na ideia de que a mulher que pode comprar produtos de luxo deixou de se importar com a percepção de valor. “Essa história de que mulher com alto poder aquisitivo não gosta de mostrar que usa coisas caras é bonita e bastante mentirosa. Ela gosta, sim. A diferença é que agora não precisa mais carregar o nome da marca estampado no peito ou na bolsa inteira.”


A mudança está justamente na maneira como esse valor é percebido. Com a saturação da logomania, elementos como corte, tecido, caimento e acabamento passaram a ocupar um espaço ainda mais importante na decisão de compra. A peça continua comunicando luxo, mas nem sempre de maneira óbvia. Para determinados círculos, reconhecer uma matéria-prima excepcional, uma modelagem característica ou um acabamento impecável tornou-se parte do próprio código de pertencimento.




“O luxo não deixou de aparecer; ele só ficou um pouco mais sofisticado. Quem entende olha e sabe que aquela peça é diferente, mesmo sem encontrar um logo enorme”, afirma Geise.


Essa mudança ajuda a explicar também por que conforto e praticidade passaram a ocupar uma posição central no guarda-roupa de mulheres com alto poder de consumo. A sofisticação contemporânea já não depende necessariamente de estruturas rígidas ou de peças reservadas a ocasiões específicas. O crescimento do athleisure é uma das expressões mais claras desse comportamento: roupas concebidas a partir do universo esportivo ganharam tecidos mais nobres, cortes elaborados e acabamentos capazes de transitar por diferentes momentos do dia.


Geise traduz essa transformação de maneira direta: “A mulher quer passar o dia com roupa de academia, mas sem parecer que desistiu da vida.” O resultado é uma consumidora disposta a investir mais para encontrar exatamente essa combinação: conforto sem desleixo, praticidade sem perda de imagem e peças aparentemente simples cuja qualidade se revela nos detalhes.


Por trás dessa mudança existe ainda um dos princípios mais antigos do mercado de luxo: a diferenciação. Quando uma estética se populariza excessivamente, quem está no topo da pirâmide de consumo tende a procurar outras formas de se distinguir. Se o logotipo pode ser imediatamente reconhecido — e amplamente reproduzido —, materiais raros, excelente construção, séries limitadas, personalização e peças menos óbvias oferecem uma sensação diferente de exclusividade.


“A mulher rica também não quer parecer igual a todo mundo. Ela só não precisa mais escrever a marca na testa para deixar isso claro”, diz Geise.




É nesse ponto que os novos códigos do luxo ficam mais evidentes. O status não desapareceu, assim como o prazer de possuir algo especial continua presente. O que está mudando é a linguagem usada para expressá-lo. Em determinados grupos de alto poder aquisitivo, talvez já não seja tão interessante ser reconhecida por todos. Existe um novo valor em ser reconhecida por quem possui repertório suficiente para entender o que está diante dos olhos.


O luxo contemporâneo, portanto, não caminha necessariamente para a invisibilidade. Ele se torna mais seletivo na maneira de comunicar valor. O desejo por exclusividade, reconhecimento e diferenciação permanece, mas já não depende de símbolos evidentes para ser percebido. Menos sobre anunciar quanto uma peça custa e mais sobre demonstrar, através das escolhas, que se sabe exatamente o que vale a pena comprar.




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