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São Paulo,08/07/2026

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Sergio Arnaut - O nome por trás de uma engrenagem que une performance, consumo e escala

Há empresários que constroem empresas. Outros constroem setores inteiros. A trajetória de Sérgio Arnaut se aproxima da segunda definição.


Sergio Arnaut - O nome por trás de uma engrenagem que une performance, consumo e escala Divulgação

Antes de liderar operações que movimentam cerca de R$ 140 milhões por ano, participar da expansão de algumas das principais redes de academias do país e desenvolver uma operação industrial capaz de produzir aproximadamente 100 mil hambúrgueres por dia, sua história começou de forma simples: conciliando trabalho e estudos ainda na adolescência, aprendendo cedo que disciplina costuma valer mais do que talento quando o objetivo é construir algo duradouro.


Ao longo de mais de quatro décadas, Arnaut acompanhou e influenciou transformações profundas no mercado brasileiro. Foi um dos responsáveis por acelerar a profissionalização do setor fitness, apostou em modelos de negócio que hoje parecem naturais, como academias em shopping centers, participou da expansão de grandes redes e, mais recentemente, consolidou uma marca própria enquanto ampliava sua atuação para a indústria alimentícia.


Sua visão de negócios parte de um princípio recorrente: empresas não crescem apenas por boas ideias, mas pela capacidade de transformar processos em escala, comportamento de consumo em recorrência e execução em vantagem competitiva.


Paralelamente à carreira empresarial, manteve uma disciplina que extrapola o ambiente corporativo. Competidor de fisiculturismo aos 60 anos, Arnaut enxerga saúde, treinamento e recuperação como parte da mesma lógica que aplica às empresas: consistência, método e visão de longo prazo.




Nesta conversa exclusiva para a THAYLOR, ele revisita os momentos que redefiniram sua trajetória, fala sobre liderança, inovação, expansão de negócios e explica por que acredita que a verdadeira performance — nos negócios e na vida — não nasce da intensidade, mas da capacidade de repetir, todos os dias, aquilo que realmente funciona.



THAYLOR: Sua trajetória começa muito cedo, conciliando trabalho e rotina intensa ainda na adolescência. Que tipo de mentalidade foi construída nesse período que você carrega até hoje?


SA: Eu comecei cedo, muito cedo. E quando você começa cedo, você não tem muito espaço para romantizar esforço. Você aprende a fazer o que precisa ser feito. Essa fase construiu em mim uma disciplina quase automática. Até hoje eu não dependo de motivação, eu dependo de rotina.


THAYLOR: Você passou por diversas instituições financeiras e foi desligado de todas. Em que momento essas experiências deixaram de ser frustrações e passaram a ser aprendizados estratégicos?


SA: No começo foi frustração, claro. Ser desligado nunca é confortável. Mas com o tempo eu entendi que aquilo estava me empurrando para um lugar que fazia mais sentido. Hoje eu vejo como um ajuste de rota. Eu não me encaixava naquele modelo.


THAYLOR: O que o ambiente corporativo tradicional te ensinou que hoje ainda é aplicado na sua forma de empreender?


SA: O ambiente corporativo me ensinou organização, processo e responsabilidade. Eu entendi como estruturas funcionam, como decisões impactam resultados. Isso carrego até hoje, mas com a liberdade de empreender.


THAYLOR: Em paralelo, você já estava dentro de uma academia. Em que momento ficou claro que aquele ambiente seria o seu caminho definitivo?


SA: A academia nunca foi só um ambiente físico para mim. Era um lugar onde eu via transformação acontecendo. Em algum momento ficou claro que ali existia mais do que treino, existia negócio, existia comportamento.


THAYLOR: Existe algum episódio específico desse início que você considera um ponto de virada real na sua vida?


SA: Teve um momento em que eu percebi que ninguém ia construir nada por mim. Ou eu assumia o controle ou eu ia continuar dependendo de decisões dos outros. Esse foi o ponto de virada.




THAYLOR: Aos 22 anos você abre sua primeira academia com equipamentos reformados por você mesmo. O que sustentava essa confiança em um momento de poucos recursos?


SA: Eu não tinha capital, mas tinha convicção. Eu conhecia o ambiente, entendia o cliente e estava disposto a fazer o trabalho que ninguém queria fazer. Isso sustenta qualquer início.


THAYLOR: Empreender no Brasil nos anos 80 era muito diferente do cenário atual. Quais foram os principais desafios estruturais naquele período?


SA: Nos anos 80, tudo era mais difícil. Menos acesso a crédito, menos informação, menos estrutura. Era muito mais tentativa e erro. Mas isso também te deixa mais preparado.


THAYLOR: Você foi responsável por levar academias para dentro de shopping centers, algo que hoje é comum. Como surgiu essa visão e como foi a reação inicial do mercado?


SA: A ideia de levar academia para shopping veio de observar comportamento. As pessoas já estavam lá. Faltava integrar o fitness a essa rotina. No começo houve resistência, parecia estranho, mas depois virou óbvio.


THAYLOR: Inovar muitas vezes significa enfrentar resistência. Em algum momento você duvidou dessa decisão?


SA: Dúvida sempre existe. Mas quando você entende o porquê da decisão, você sustenta ela. Eu sabia que fazia sentido no longo prazo.


THAYLOR: O que diferencia um empreendedor que executa de um empreendedor que apenas idealiza?


SA: Quem executa entende detalhe. Quem só idealiza fica no conceito. Negócio é execução diária, ajuste fino, consistência.


THAYLOR: Ao longo de mais de 40 anos, quais padrões você identificou nos negócios que realmente prosperam?


SA: Negócios que prosperam têm padrão. Eles entendem o cliente, operam bem e mantêm consistência. Não é sobre uma grande ideia, é sobre repetir bem o básico por muito tempo.




THAYLOR: Sua participação na expansão da Bio Ritmo marcou um momento importante na profissionalização do setor. Qual foi o maior aprendizado dessa fase?


SA: Na Bio Ritmo eu entendi o que é profissionalizar um setor. Tirar do amadorismo e estruturar como empresa de verdade. Esse foi um divisor.


THAYLOR: Na sequência, a Bluefit trouxe um modelo de escala e eficiência operacional. Como você enxerga a evolução do mercado fitness nesse contexto?


SA: A Bluefit trouxe escala. Mostrou que era possível crescer mantendo eficiência. O mercado começou a se organizar melhor a partir daí.


THAYLOR: Hoje, com a Nitrogym, você cria uma marca própria. O que ela representa dentro da sua trajetória?


SA: A Nitrogym é a síntese da minha trajetória. É onde eu coloco tudo que aprendi, com mais controle e mais clareza de posicionamento.


THAYLOR: Como equilibrar crescimento acelerado com manutenção de qualidade e experiência do cliente?


SA: Crescer com qualidade exige processo. Você precisa ter padrão. Sem isso, a experiência se perde.


THAYLOR: Quais são os pilares inegociáveis na construção de uma operação de sucesso?


SA: Os pilares são claros. Operação eficiente, boa localização, experiência consistente e equipe alinhada.


THAYLOR: Liderar equipes grandes exige uma leitura humana muito apurada. O que você valoriza em um time?


SA: Eu valorizo pessoas comprometidas. Técnica você ensina, postura não.


THAYLOR: Além do fitness, você atua fortemente no setor alimentício. O que te levou a expandir para esse segmento?


SA: A entrada no alimentício veio da mesma lógica. Eu enxerguei demanda e possibilidade de escala. Era um mercado com espaço para organização.


THAYLOR: Sua operação industrial abastece grande parte das hamburguerias de São Paulo. Como funciona essa estrutura em termos de escala e gestão?


SA: Hoje é uma operação industrial robusta. Produzimos cerca de 100 mil hambúrgueres por dia. É um negócio de volume, padrão e eficiência.


THAYLOR: Existe sinergia estratégica entre o mercado fitness e o alimentício dentro da sua visão de negócio?


SA: Existe sim uma conexão. Ambos trabalham com comportamento de consumo e recorrência.


THAYLOR: O que muda na mentalidade do empresário quando ele passa a gerir múltiplas frentes simultaneamente?


SA: Quando você opera múltiplos negócios, sua visão muda. Você começa a pensar mais em sistema do que em operação isolada.


THAYLOR: Faturar aproximadamente R$ 140 milhões ao ano exige consistência. Qual é o segredo da longevidade financeira?


SA: Longevidade financeira vem de consistência. Não é sobre picos, é sobre estabilidade.


THAYLOR: Paralelamente à carreira empresarial, você construiu uma trajetória como atleta. Em que momento o esporte deixou de ser prática e passou a ser disciplina de vida?


SA: O esporte virou disciplina quando eu entendi que ele impactava tudo. Energia, foco, tomada de decisão.


THAYLOR: Competir no fisiculturismo aos 60 anos e vencer contra atletas mais jovens é um feito raro. O que isso representa para você?


SA: Competir aos 60 anos e vencer é uma consequência. O mais importante é provar para mim mesmo que consistência funciona.


THAYLOR: Como você estrutura sua rotina hoje entre negócios, treinos e recuperação?


SA: Hoje minha rotina é desenhada com intenção. Eu não separo vida pessoal, treino e negócio como coisas isoladas, tudo faz parte de um mesmo sistema. Eu acordo cedo, começo o dia já direcionando energia para o que exige mais clareza mental, que são as decisões estratégicas. O treino entra como um compromisso inegociável, não é algo que eu encaixo, é algo que estrutura o meu dia. A recuperação passou a ter o mesmo peso do treino, porque com o tempo você entende que longevidade não é sobre intensidade, é sobre sustentabilidade. Eu organizo minha agenda para ter consistência, porque é isso que garante performance no longo prazo.


THAYLOR: Quais são os principais pilares da sua saúde física atualmente?


SA: Hoje eu trabalho com quatro pilares muito claros. Treino bem estruturado, alimentação ajustada ao meu objetivo, descanso de qualidade e constância. Não existe nada mirabolante. O que existe é repetição bem feita ao longo do tempo. Eu também presto muita atenção em sinais do corpo, coisa que quando você é mais jovem acaba ignorando. Hoje eu entendo que performance real vem do equilíbrio entre estímulo e recuperação.


THAYLOR: Existe alguma filosofia pessoal que guia suas escolhas em relação ao corpo e à longevidade?


SA: Eu acredito muito mais em consistência do que em intensidade. Não adianta fazer muito por pouco tempo. O que transforma é o que você sustenta. Eu também vejo o corpo como um ativo, assim como um negócio. Se você não cuida, ele cobra. E quando cobra, geralmente vem com juros. Então minhas escolhas são baseadas em longevidade, não em resultado imediato.


THAYLOR: O que mudou na sua visão de saúde ao longo das décadas?


SA: No começo era muito mais estética, performance visual. Com o tempo isso muda completamente. Hoje saúde para mim é energia, clareza mental, capacidade de continuar produzindo em alto nível. É conseguir manter uma rotina exigente sem perder qualidade de vida. A estética vira consequência de um sistema bem cuidado.


THAYLOR: Sua história é marcada por altos e baixos. O que define alguém que consegue permanecer relevante por tanto tempo?


SA: Relevância ao longo do tempo vem de adaptação. O mercado muda, o comportamento muda, o acesso muda. Se você não evolui junto, você fica para trás. Mas ao mesmo tempo você precisa ter uma base sólida. Eu acredito muito nessa combinação de adaptação com essência. Saber mudar sem perder o que te trouxe até aqui.


THAYLOR: Como você lida com pressão, risco e tomada de decisão em momentos críticos?


SA: Pressão faz parte do jogo. Quem empreende em escala aprende a conviver com ela. Eu procuro tomar decisões com base em dados, experiência e leitura de cenário. Mas também existe intuição, que é construída ao longo dos anos. Em momentos críticos, o mais importante é não paralisar. Decisão imperfeita ainda é melhor do que ausência de decisão. E assumir responsabilidade pelo que foi decidido.


THAYLOR: Existe algum erro que foi determinante para o seu crescimento?


SA: Vários. E alguns foram caros. Mas eu sempre tive uma postura de aprender rápido com erro. O problema não é errar, é repetir erro. Teve momentos em que decisões equivocadas me obrigaram a rever modelo, rever operação, rever pessoas. E isso acaba te deixando mais preparado para o próximo ciclo.


THAYLOR: O que ainda te motiva a continuar construindo, mesmo após tantas conquistas?


SA: Eu gosto do processo. Não é só sobre resultado final. Construir, ajustar, melhorar, escalar, isso me movimenta. Quando você passa a ver o negócio como um sistema vivo, sempre tem algo para evoluir. E isso mantém a motivação.


THAYLOR: Como você define sucesso hoje, comparado ao início da sua trajetória?


SA: No começo era sobrevivência. Era pagar conta, manter o negócio aberto. Hoje é diferente. Sucesso para mim é consistência, liberdade de decisão e capacidade de impacto. É conseguir construir algo sólido e que funcione sem depender exclusivamente de você o tempo todo.


THAYLOR: Que tipo de legado você deseja deixar para o mercado e para as próximas gerações?


SA: Eu acredito muito em construção sólida. Mostrar que é possível crescer sem atalhos, com estrutura, com consistência. Se eu puder deixar alguma coisa, é essa mentalidade. Negócio bom não é o que cresce rápido, é o que se sustenta ao longo do tempo.


THAYLOR: Se pudesse dar um único conselho para quem está começando, qual seria?


SA: Comece, mas com consciência de que não é rápido. As pessoas subestimam o tempo necessário para construir algo relevante. Tenha paciência, mas principalmente tenha disciplina para continuar quando o entusiasmo inicial passa.


THAYLOR: E olhando para o futuro, o que ainda te desafia?


SA: O futuro sempre traz novas dinâmicas. Tecnologia, comportamento, consumo. O desafio é continuar relevante dentro desse cenário. E isso exige atualização constante. Eu me coloco sempre em posição de aprendizado, independente do tempo de mercado.


THAYLOR: Quem é o Sérgio Arnaut hoje, em uma definição que vá além do empresário e do atleta?


SA: Hoje eu sou alguém que constrói. Eu construo negócios, construo rotina, construo resultado. Mas acima de tudo, eu construo consistência. Porque no fim, é isso que sustenta tudo.






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