COM QUE ROUPA EU NÃO VOU?
Divulgação Sou Pedro Ivo Brito, mais conhecido como PIB, e abro essas minhas primeiras páginas por
aqui já contando uma coisa simples, porém nada óbvia sobre mim: eu não sei existir sem
estética e narrativa.
Antes de qualquer tendência, antes de qualquer vitrine, antes até da internet dizer o que era
“in” ou “out”
, eu já estava ali, sendo educado pelo olhar. Minha mãe, vulgo Pat Brito, sempre
me ensinou e me incentivou a conhecer o lado bonito da vida. Com toda certeza, é a minha
maior curadora. Foi com ela que aprendi que o belo não é luxo, é linguagem. E linguagem,
quando bem usada, nunca pede licença, ela se impõe.
Quando cheguei em São Paulo, entendi que o mundo não era só maior, ele era, sim, mais
barulhento. E, curiosamente, foi nesse ruído que encontrei minha própria frequência, a qual
permaneço até hoje. Por aqui, me fiz presente antes da moda virar pauta, antes da estética
virar algoritmo, antes do hype virar regra. Intuição? Talvez. Ou só inconformismo bem
trajado.
Nunca gostei do básico. E, quando ele é inevitável, faço questão de tensioná-lo. Em
restaurantes, nunca peço o prato mais pedido. Não entro na fila só porque ela existe. Se
todos vão, eu penso duas vezes. Se todos querem, me dou ao direito de recusar. Se todos
usam, eu já nem quero mais. Não por rebeldia sem causa, mas sim por uma inquietação
genuína de entender o porquê das coisas. Essa inquietude é a forma como eu vejo e
antecipo as oportunidades e olhares.
Porque vestir-se não é roupa. É narrativa.
Existe uma tríade clássica no universo da comunicação que pouca gente, ainda, leva a
sério: emissor, mensagem e receptor. Você e seu guarda-roupa são emissores de uma
mensagem, que envolve escolhas e o bom gosto, ou a falta dele. E o receptor… bom, o
receptor é o mundo. Pequeno ou grande, íntimo ou público, ele está sempre lendo você
antes mesmo de você esboçar suas primeiras palavras.
Moda, pra mim, não deve seguir nada, deve apenas falar tudo.
E talvez, no fim das contas, a pergunta nunca tenha sido “com que roupa eu vou?”
.
A pergunta certa, a única que realmente importa, deveria ser:
com que roupa eu NÃO vou me permitir ser só mais um?
Dentre tantos por aqui, me coloco no lugar de ser mais um, porém um que possui tantos dentro de si.





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